Sim, podemos falar do que tu quiseres
Vou abanar com a cabeça
Devagarinho
Que é para não ficar mais desorientado
Do que já me estás a deixar
Vou-me ficar sem dizer nada
Aliás, desculpa, mas de início nem ouvi nada do que disseste
Os teus lábios moviam-se
Fazias expressões
Movias as mãos
Isso eu percebi
Só quando começou a passar o efeito quase narcotizante
Que a tua pessoa surtiu em mim
É que comecei aos poucos a ouvir-te
“… Gosto de andar na praia ao entardecer e sentir os grãos de areia mornos na pele a entranharem-se por entre os dedos dos pés”
Disseste
E enquanto fui buscar o meu queixo ao chão
Tu aproveitaste para te chegares a mim
Quando me levantei
Não pude de deixar de reparar
Na tua boca
Desta vez não estava a mexer-se
Para deixar escapar esse som belo
Emanado
Das tuas cordas vocais
Que me fazem tremular
O meu olhar firmou-se no teu
E brilhava
Nesse esbarrar de reflexos
Formamo-nos num campo magnético
A provocação de tal gravidade disparou
E fez-nos esfregar os corpos um no outro
Para mitigar a sede
Libertos desse desespero latente
Esbatemo-nos deliciosamente
Reescrevemo-nos na claridade
De loucura e recriação.

 

 

 

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Miguel Pedro Carvalhais

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