Um EP homónimo em 2015, o longa-duração Scope em 2016, já em 2017 lançam Dream About the Things You Never Do. 3 anos 3 discos…  As músicas já me eram conhecidas, mas os Paraguaii só despertaram a minha total atenção depois de ver o concerto na última edição do Walk & Dance. Com a curiosidade picada pela actuação, dei por mim a deixar rolar o mais recente trabalho várias vezes. O disco não é (positivamente) uniforme. De música para música, a juntar à memória do concerto, entende-se que os Paraguaii são um projecto que abraça diferentes correntes e influências, mantendo uma singular identidade meândrica. Mas não são essas, as sinuosas, as mais interessantes?


© Walk & Dance

– “Dream About The Things You Never Do” é o disco que esperavam?
– A ideia e o conceito do disco foi unânime para os 3, por isso, tendo sido gravado e misturado por nós, não poderíamos estar mais contentes com o resultado, embora seja sempre um processo cansativo e de constante auto avaliação. Apesar disso o resultado final está lá do jeito que a banda pretendia.

– O que influencia os Paraguaii?
– Nós somos influenciados constantemente, pois ouvimos muita música de todo lado e de todos os estilos. O cinema. os pensadores e filósofos também são uma influência constante no processo da composição. As pessoas, a sociedade, e a forma como nós nos inserimos nela também é uma influência bastante rica que absorvemos.

– Como é o vosso processo criativo? E os palcos são factor importante nesse processo ou é na sala de ensaios que tudo fica definido?
– Depende da fase e depende muito do que falamos em termos de conceito para cada trabalho. De uma forma geral, são feitos sempre muitos esboços, tanto no instrumental como nas letras… e a partir de uma determinada altura olhamos para tudo o que fizemos, começamos a filtrar o que nos interessa realmente e daí começamos a construir à volta de cada ideia o final dos temas. Em termos de composição, o disco Scope foi feito de uma forma mais convencional no que diz respeito a banda de ensaios. Tudo foi feito em sala de ensaio e depois fomos gravar para o estúdio. Neste disco Dream About The Things You Never Do, fomos trabalhando irritantemente no estúdio e nos programas de gravação. Fazia mais sentido… pois o disco era, e é, mais electrónico comparativamente com o Scope.

© Walk & Dance

– Assisti ao concerto no Walk&Dance 2017 e destaco as boas vibrações que emanavam do palco e dos amplificadores. No entanto enquanto ouvia o recente “Dream About The Things You Never Do” senti várias vezes, em “Karma is a Bitch” ou em “She Kills Everyone” por exemplo, um conceito completamente diferente. Essa dicotomia é mote em Paraguaii ou não se revêem minimamente nesta análise?
– Sim, o disco é diversificado em termos de estilo. Há sempre um tema ou outro que traduzem ligeiramente linguagens que nos proporcionam universos diferentes. O conceito poético é o mesmo, é uma chamada de atenção de tema para tema de visões e criticas sobre a sociedade. É normal que as pessoas se identifiquem mais com um ou outro tema e criem ali uma dicotomia… isto pode por vezes chocar ou levantar questões sobre o que são realmente os Paraguaii. De facto para nós isso era um ponto que queríamos que acontecesse. Não conseguimos definir-nos ou limitar-nos apenas a um estilo musical, a um universo, mas sim como um todo, criar um universo maior que se definirá como Paraguaii.

– Perante o cenário musical nacional, pensam no projecto para um contexto internacional? Existe alguma ideia nesse sentido ou nem pensaram nisso e querem é “apenas” andar a tocar?
– Sim, desde o principio que queríamos fazer o que nos é devido a nível nacional, mas sempre de olho na cena internacional. É um processo lento e temos algumas coisas em vista… uma tour internacional para 2018 está a ser montada neste momento, mas não podemos mesmo adiantar mais nada a não ser isso.

– O que é Irreversível?
– Neste momento o que para nós é irreversível é continuar a compor, continuar a criar laços e fortalecer a união entre os membros e todos os que estão ligados ao projecto.

Paraguaii @ Spotify

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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