foto: ardelfin @ morguefile.com

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Hoje sim, o rock está velho… Falo do rock da garagem, da cave da casa dos velhotes, aquele que outrora foi o mais puro de todos, aquele onde se fazia música muitas vezes sem qualquer sentido para o comum dos mortais, mas que para nós, só assim fazia sentido… Para nós, o rock era todos os dias uma novidade, sem limites, era de todos nós e de cada um de nós… cada acorde mal tocado nos soava como uma nova harmonia, as letras eram rasgos de demências que habitavam confortavelmente nos nossos cérebros, sem pagar renda. Faziam-se canções em 5 minutos porque era assim que elas nos saiam, sem arranjos nem arranjinhos, eram verdadeiramente parte de nós, e naquele momento, o mundo inteiro era nosso…

Passados vinte anos , tenho a sensação de que os “rockeiros” de então se esqueceram daquela sensação de quase terror que num segundo se transformava em puro êxtase, aquele momento de liberdade em que te preparas para tocar ao vivo a canção que escreveste dois dias antes, que sabes que provavelmente não vai sair como esperas, mas que vai sair como tiver que ser, e vai ser tua, vai ser o teu momento… e quando aquela pessoa, no meio de vinte ou trinta ou cem, te vem dizer no fim que adorou, ou até que odiou, tu tens a certeza que valeu a pena…

No fim, é isso que conta, fazer sentir… e perdoem-me os “rockeiros” de hoje em dia , mas quando ouço bandas tocar músicas dos outros, nalguns casos de forma quase perfeita, já sinto muito pouco… não sinto o risco, a paixão, não sinto o pânico de quem está a expor um pedaço de si próprio…

O rock, o da garagem, está velho! está velho porque a música que foi feita nos anos 70 e 80 e 90 já foi feita, e ninguém a vai conseguir tocar como elas foram tocadas por quem as fez… assinem a vossa música… por muito má que ela seja, vão ver que para vocês, vai ser a música da vossa vida…

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Daniel Silva

33 anos - Trofa

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O que tu “fizes-te” ou o que “tu não fizestes” são dois problemas nossos.

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