Escrevo uns devaneios numa página do Facebook. Nada de importante e pertinente, aliás, não pretendo aqui fazer publicidade, refiro-me a esta actividade somente como pretexto para escrever este artigo. Através desses devaneios, encontrei um escape para descarregar as minhas emoções, cultivar a minha criatividade, expressar os meus pensamentos e partilhar os mundos e conceitos que existem na minha mente.

Criei a página um pouco por incentivo de amigos, tanto reais como virtuais que, por várias vezes, me disseram que devia ter um sítio na web para partilhar com o resto do mundo os meus pontos de vista que, note-se, são quase sempre idiotas, inúteis e maioritariamente sobre temáticas aleatórias e insignificantes. Comecei a gostar bastante de ter uma página pública. Reflecti sobre esta questão, e concluí que um dos motivos que mais me agrada é o facto de efectivamente ter seguidores e receber “gostos“ sempre que publico um devaneio. Há pessoas que, incompreensivelmente seguem o que escrevo e que, para meu espanto, por vezes até gostam e acham piada. Naturalmente que isso me agrada, uma vez que me incentiva a escrever mais, e, claro está, me estimula o ego. Acho que o estímulo ao ego, em doses moderadas, é importante e até necessário. Aumenta-nos a auto-confiança e a auto-estima, e permite-nos derrubar barreiras mentais que, por vezes, existem precisamente porque o nosso ego não é devidamente alimentado. Quando alimentamos o ego, ganhamos força para enfrentar as vicissitudes diárias com outro fôlego. Cresce-nos ânimo e força de vontade porque sentimos que temos valor, ou melhor, convencemo-nos de que o temos. Contudo, o ego pode ser enganador e é por isso importante que não nos deixemos dominar pela (falsa) sensação de superioridade com que muitas vezes o nosso próprio ego nos ilude, e que nos conduz à prepotência e à intransigência. Alimentar o meu ego com os “gostos” dos que seguem a minha página, obrigou-me à recuperação de um hobby há já algum tempo perdido, e levou-me a encontrar um novo propósito para gastar o meu tempo de forma produtiva: escrever.

Escrever quando, como, e sobre o que me apetece. Escrever sobre tudo no geral. Escrever sobre nada em específico. Distribuir vocabulário apenas porque sim, explorar ideias e conceitos dentro dos limites da minha imaginação e aprofundar o meu auto e hetero conhecimento, porque escrever obriga-me a pensar. Pensar é essencial para melhor compreendermos o que nos rodeia e assim tirarmos as nossas próprias conclusões, ao invés de nos deixarmos influenciar pelas opiniões alheias. Encontrei combustível para o ego e de forma gratuita.

Quero eu dizer com tudo isto, que não devemos deixar de partilhar com os outros o que nos vai na alma e de nos exprimirmos, seja a escrever, a pintar, a cantar, a dançar, a representar, ou outra qualquer forma de expressão. Faz-nos bem, porque a essência da nossa existência, é a partilha.
Fica o registo!

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Simão Mendes

Terráqueo abstracto que todos os dias procura descobrir-se e a quem o riso é indispensável. Vive despreocupadamente. Viciado em pizza, aprecia o café a 3/4 e sonha ir ao espaço.

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