No meu tempo, 51 era uma boa ideia e como para bom
entendedor, entender basta… Não vou, simplesmente, explicar.
Mas não sei se será tão boa a ideia de fazer 51, ou 1 além do
meio do caminho para os 100.

Inquietante e pouco excitante, essa vida levada a cabo.
Essa incerteza de sobreviver da caridade de quem me detesta
(salve Cazuza).

Cheguei aos 51 sem vontade alguma de voltar aos 15 ou a outra
idade qualquer, que todas as idades foram de ouro e todas foram
valentes merdas, em todas elas tive amores grandes e perdas maiores.

Cheguei aos 51 como se chegasse a casa e metesse a chave à porta,
mas ninguém fez o jantar ou pôs a roupa para secar, secos os olhos
e seca a terra onde se atiram sonhos para recolher trovoadas.

São 51 velas num bolo barco à deriva, sem perspectiva,
sem nexo, sem porto onde viva o olhar amante.
Onde haja ar para respirar e amigos de braços abertos,

mentes abertas e coração farto.
Vendo casa com cantos de memória, vendo

memórias com gritos de sombra. Vendo bem, nada há para ver.

Aos 51 sou vinho que não viu os anos a passarem,
que não foi metamorfose de água, que não deixou na língua
o travo do tempo, mas envelheceu no fundo de uma adega.

51 e velho demais para as perguntas retóricas em frente ao espelho,
a bruxa me enfada e eu não quero fodas, madrinha!
Meio comprimido de manhã, outro meio mais tarde e um inteiro
ao deitar-se, belo resumo das coisas,
hipertensiva incerteza e 51 de cu é rola.

foto: pauloramosartistadesenhistapoetafotografo

foto: pauloramosartistadesenhistapoetafotografo

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PAR

Sou muitos por cento H2O o que quer dizer que fervo a 100 e congelo a zero... tenho muito para dizer mas só digo quando quero.

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