Os Chemical Brothers passaram em Santiago de Compostela num alinhamento que também incluía Erol Alkan e 2manydjs. Um cartaz completa e irreversivelmente cativante.
Primeira nota para o espírito que envolvia o espectáculo e que se tornava evidente a cada instante que passava, notoriamente estava ali muita gente muito motivada para assistir ao concerto, sentia-se no ar um clima de positiva ansiedade pela abertura de portas.

Erol Alkan abriu a noite com grande estilo, criando um set de preparação para o que ai vinha. Mostrando a sua versatilidade, humildade, e noção do tempo e espaço, sabia que ali estava para preparar o caminho a quem lhe sucedia e não para fechar uma noite. Claro que para quem, como eu, esperava ver o melhor de Erol Alkan sentia uma pequena desilusão, mas a evidente qualidade, mesmo que numa evolução serena, mostrava que o Britanico é capaz de dominar qualquer situação e é actualmente um dos melhores Djs que se pode assistir. Um Mestre.

Os 2manydjs arrancaram com músicas do último álbum e progrediram para um autentico set de Big-Beat… ou não viessem a seguir os Chemical Brothers! Cada vez mais gente preenchia o pavilhão e a maré enchia a dançar. Os anos de carreira e palcos certificam a qualidade, no entanto a dupla fez questão de validar o seu percurso, convencendo e conquistando a plateia, com o trabalho que fazem ao vivo. Originais e multifacetados, jogam e brincam com as músicas com uma facilidade deslumbrante. Umas Enciclopédias.

Durante ambas as actuações dirigi-me ao exterior para o necessário cigarro e bebida, trago isto para esta crônica para destacar o facto que troquei palavras com várias pessoas – o tal clima positivo que se vivia – sendo que, surpreendentemente, uns eram britânicos, outros italianos, outros vindos de várias zonas de Espanha, da Corunha a Madrid, numa multiculturalidade saudável e representativa da qualidade do alinhamento. De repente, ali em Santiago de Compostela, parecia estar numa cimeira europeia de um qualquer clube de fans dos Chemical Brothers.

O ansiado momento arrancou e durante as mais de duas horas seguintes assistiu-se a uma fusão entre a banda e a audiência. Os Chemical prepararam um total de 28 temas (se incluirmos a introdução) com direito a duplo encore.

Esta foi a 5ª vez que assisti a um concerto da dupla, a 2ª em nome próprio, sendo que são tão diferentes dos shows em festivais, e se o anterior show em nome próprio cabia no pódio dos “melhores concertos que assisti na vida” -apenas suplantado por Kraftwerk 3D e por Einstürzende Neubauten- este entrou no Olimpo e rivaliza directamente para o lugar de topo.

Ok… todos os lasers, luzes, projecções, robots e demais artefactos, dispositivos e acessórios, tornam o espectáculo ainda mais apelativo e memorável, mas a música… a música dos Chemical Brothers é universal e nossa contemporânea, e foi a música que mais me encadeou e maravilhou . Dancei, saltei, eu sei lá… dava para espremer a minha roupa no final. Ia com a ideia de me sentar na bancada e assistir tranquilamente, mas aos 1ºs acordes de “Hey Boy Hey Girl” e a sentir toda a efervescência de um pavilhão que quase abafava o som, fui para o meio da multidão e gozei como há muito não o fazia…

Todas as fotos foram gentilmente cedidas por Marco Almeida e Pedro Gama – musicfest.pt – e a galeria completa pode ser vista aqui: The Chemical Brothers em Santiago de Compostela, 30 de Outubro de 2016
Todos os vídeos retirados do Youtube

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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