Captain America: Civil War é um triunfo em várias frentes, pois para além de dignificar e elevar o demasiadas vezes mal-amado sub-género a que pertence, é um filme sólido que resiste a qualquer escrutínio aziado e sobrevive sem problemas para além das suas muitas referências ao material original e ao próprio universo cinematográfico onde se inclui.
Como bónus adicional, prova que pedaços de esterco como “Batman V Superman” não representam o género.

Um bom argumento é aquele que consegue traduzir uma história/livro/ideia para a linguagem do cinema, ultrapassando ou contornando as barreiras de forma a revelar o máximo possível do seu potencial numa tela. E o argumento de “Civil War” é, nesse sentido, surpreendentemente excepcional.
Complexo e fluído, multifacetado e esclarecido, a sua eficiência é total, consegue reunir duas dezenas de personagens e respectiva bagagem, todas elas com motivações plausíveis para os seus comportamentos e decisões, diálogos afinados e caracterização verosímil que fundamentam as suas relações, as várias cenas de acção e a evolução da história em geral.
E ainda sobra tempo para reintroduzir de forma genial um dos super-heróis mais queridos do público.
Tudo isto num ritmo bastante agradável, resultado também de uma montagem certeira.

captain-america-civil-war-poster1A realização de Anthony e Joe Russo passaria despercebida pela positiva, não fosse a utilização abusiva da “técnica shaky cam” em várias cenas de acção, nomeadamente nos combates físicos em locais apertados, o que resulta habitualmente numa incapacidade para o espectador perceber o que se passa, quem está a esmurrar quem.
Esta táctica pode ser utilizada para imprimir mais sentido rítmico à acção, mas é infelizmente uma desculpa para ocultar coreografias menos conseguidas.

Quanto ao elenco, é um exército de grandes nomes, todos a rumar no sentido certo, tempo para todos brilharem. Num grupo tão extenso de profissionais com provas dadas, resta-me salientar o papel de um jovem actor que interpreta uma das surpresas do filme.

“Captain America: Civil War” é um bom filme de entretenimento, atinge os seus objectivos com todo o mérito, é fruto de uma articulação orgânica entre um argumento muito feliz e todos os meios colocados à sua disposição para o revelar.
Uma bofetada na cara a todos os que profetizam o fim do sub-género “filme de super-heróis“, este filme prova que as suas origens e o seu enquadramento e associação com produtos menores, não o impedem de triunfar e exigir ser apreciado e julgado pelos seus próprios méritos.
A Marvel/Disney apresenta aqui um dos seus melhores filmes, em vários aspectos será mesmo o melhor.

8/10

Comentários



Luis Costa

Não mais deixarei intocável a minha divindade.
Ficarei à mercê do tenebroso juízo e assustadora pena, de todos quantos quiserem vislumbrar, porventura explorar, as fraquezas e timidez de um Deus da guerra, cansado de inconscientemente fugir da paz sempre adiada.
De futuro, caminharei ao lado do comum dos mortais.

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