Os Black Zebra andaram a espalhar dicotomias sonoras, cromáticas e listadas, pelos palcos nacionais com a promoção do EPThe Worst Shit Demo” e acabaram de lançar o seu primeiro longa duração: “NONSQUARE“.
O lançamento do disco aconteceu no passado dia 18 de Fevereiro no Centro Cultural de Vila das Aves – Ciclo “Sonoridades”, estivemos lá para ouvir a evolução do projecto e aproveitamos para conversar com o jovem duo que tem surpreendido os palcos por onde passa.

The Black Zebra - Promo 1 WEB
– O disco é aquilo que esperavam?
Nuno – Totalmente, foi um disco gravado com tempo, de musicas já maduras. Foi gravado num estúdio onde queríamos muito gravar –BlackSheep Studios– e foi uma experiência quase de sonho. Quando iniciamos a banda imaginávamos ser lá que íamos gravar em estúdio pois as bandas que curtíamos, na altura, já lá tinham gravado..
Hugo – No geral, foi sem dúvida. É um disco conseguido a partir dos objectivos que tínhamos, sendo que deu um enorme prazer de fazer, não só em relação à composição das músicas mas também com todo o trabalho de estúdio, o qual nos deu bastante experiência para os próximos trabalhos.

– O que influencia a música de Black Zebra?
Nuno – A música de Black Zebra é um misto de influências dos discos que ouvimos, concertos que assistimos e de situações que acontecem, a nossa volta, no nosso dia a dia. As músicas nascem nos ensaios, que deixam de ser ensaios e passam a ser momentos criativos, muito mais vezes do queremos… É fácil para nós criar e perdermo-nos na música que fazemos . Gostamos mesmo de tocar, isso acima de tudo… isso é que faz a banda ser como é.

–  O vosso processo criativo surge apenas nos ensaios ou os palcos também moldaram o vosso som?
Nuno – Os palcos, estejamos dentro ou fora deles moldam sempre o nosso som. Mas a criatividade vem ao de cima em cada ensaio.
Hugo – O nosso processo criativo surge maioritariamente nos ensaios. Na maior parte deles aproveita-mos apenas para fazer “jam” e não ensaiar as músicas que já estão criadas, por isso creio que os concertos são um factor menos condicionador para o processo criativo!

– Pensam no projecto a médio/longo prazo ou simplesmente é um dia de cada vez?
Nuno – Pensamos a longo prazo, apresentamos agora o disco e já estamos a trabalhar no próximo. Estamos já a fazer planos para a gravação… escolha de estúdio, escolha de material…
Hugo – Pensamos no projecto a longo prazo, pois somos dois elementos bastante criativos e como ainda estamos num processo evolutivo, enquanto banda e músicos, temos a vontade de criar sempre novas ideias para novas músicas, com o objectivo de chegar a um próximo álbum!

– O facto de serem um duo nasceu naturalmente, até por serem irmãos, ou existiram tentativas que o projecto rolasse de outra forma?
Nuno – Houve tentativas antes de começar o projecto e até mesmo depois, mas nunca resultou em nada … Essa pergunta é sempre feita, nós ate imaginamos a banda com outras pessoas, mas sempre que tentamos tocar com alguém e tentamos inserir neste protejo não resulta… vai dar sempre em protótipos de novos projectos que já se desviam da cena musical de Black Zebra.
Hugo – O facto de sermos irmãos e tocarmos juntos à algum tempo, assim como a vontade de criar um protejo em conjunto, foi o necessário para criar os Black Zebra… mas já tentamos inserir outros elementos na banda só que, claro, o facto de termos uma conexão que não está tão assente com os outros músicos, levou-nos a fazer coisas que não pretendíamos para os  Black Zebra !!

 … E o que é a “cena musical” dos Black Zebra?
Nuno – É uma mistura de vários ingredientes musicais que não chegam a ser géneros, pois não definimos um género no processo criativo… As coisas acontecem e no fim percebes que vais sempre buscar alguma inspiração aqui e ali!
Hugo –  No meu caso não consigo inserir o projecto num determinado género musical. O nosso processo criativo é muito livre nesse aspecto, as nossas músicas são criadas a partir da vontade de cada um de querer fazer músicas pujantes, para partir tudo, assim como músicas bastante calmas e até um pouco melancólicas. Depende muito da música que nos inspira, pois como todas as bandas, vamos buscar influencias no que ouvimos, desde do hip-hop e funk, até ao post-rock e o rock alternativo!!

– O que é Irreversível?
Nuno – Irreversível é o facto de não se conseguir voltar atrás em algum acto ou atitude tomada, impossibilidade de fazer alterações na realidade actual.
Hugo – Irreversível é o que não podes alterar no que já fizeste, no nosso caso enquanto banda e músicos, todos os discos que gravamos não podem ser “alterados”, só temos a opção de gravar mais álbuns para fazer mais música de acordo com o pretendido!

Tour “NONSQUARE”:
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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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