Psicadélicos-Stoner-Rock, só para tentar enquadrar, os texanos Black Angels lançaram em 2006 o seu álbum de estreia – Passover.
Não me caiu logo ao colo, apenas em 2010 já com o 3º trabalho Phosphene Dream é que me chegaram ao ouvido, e os sentimentos positivos foram suficientes para pesquisar a banda e chegar até ao azimute Passover.
Todo o álbum nos transporta para um ambiente cheio de cactos alucinogénicos e fortes doses de álcool, a alma do álbum é essa, rodeado de um espírito musicalmente livre e bastante sónico. Nota-se que o fazem sem esforço, sem se tentarem colar seja ao que for, a não ser aos Velvet Underground, mas isso fica a descoberto logo no nome da banda. the-black-angels-passover-label-b
Essa liberdade criativa confunde-se com Indie ou Psicadélico, mas aqui não é o caso, é mesmo rock e música crua, cheia de sentimentos a cada nota, a cada linha de baixo, a cada pancada na tarola.
Quem ouve o disco a 1ª vez, muitos, descrevem a qualidade gravação como baixa, dizem “tem ruído”, mas Dave Cooley na masterização é acima de qualquer suspeita, assim como a Cacophony Records; esse “ruído” parece-me ser a prova que falta ao céptico, a prova que o rock continua vivo, e que nem toda a música necessita de ser polida.
Não é expectável que atinjam o sucesso de outros “Black”, como os polidos Keys ou os mais ruidosos Rebel Motorcycle Club, isto porque não são assim tão distantes nem de uns nem de outros, mas são demasiado negros, psicóticos, e naturais, para fazerem refrões orelhedos ou temas rádio fm.

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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