Bate leve, levemente, como quem chama por mim. Será heroína ou coca? Ecstasy não é certamente. E o xito não bate assim. Fui ver…

Tu, que tens um emprego das 09:00 às 17:00, todos os dias tens de barbear, ir todo enfarpelado com fatinho e gravata, sorrir quando te apetece mandar todos abaixo de Braga, não me digas a mim que nunca experimentaste um charro sequer.Todos passamos pela fase da droga. Uns experimentaram e resistiram, outros experimentaram e consomem de longe a longe quando o rei vai lá, e os terceiros experimentaram e experimentaram e experimentaram e não resistiram.
Na década de oitenta, as drogas mais consumidas eram a heroína e a cocaína. A heroína era para todos, a cocaína era mais cara, só consumida pelos meninos de papás, ou quando os menos abastados recebiam uma noticia da avó. A heroína tinha vários nomes, para não soar tanto a veneno ou para disfarçar conversas, apelidada por castanha, heroa, cavalo, pó, poeira, burra (entre outros) e dá um efeito relaxante, uma redução de dor. A cocaína tinha os nomes de branca, lambona, coca.
Vieram os anos noventa, e com eles o mesmo. Álcool, drogas, barbitúricos, estimulantes. Já não era um segredo que nem se guardava no diário com fechadura. A venda era mais livre, mas a informação também. Os estimulantes, anfetaminas, alucinogénos (muito populares nos anos 60 e 70)vieram novamente em força, mais por curiosidade ou usados na noite de música carrinhos de choque. O álcool por todos, em qualquer sítio, a qualquer hora.
Com a viragem do século, adivinhe-se, mais do mesmo.
Amigos e pessoas próximas enterraram a vida na droga. A maior parte deles já viste a foto no café da esquina. Muitos foram os famosos que morreram de overdose e consumo excessivo de álcool. River Phoenix, Marilyn Monroe, Syd Vicious, Philip Seymour Hoffmann, Brian Jones, Layne Staley, Dee Dee Ramone, Elis Regina, Bob Marley, Philip Seymour Hoffman, Anna Nicole Smith, John Belushi, Judy Garland entre muitos outros. Kurt Cobain matou-se ou mataram-no? E a já conhecida lenda dos três J´s: Jim Morrison, Jimi Hendrix, Janis Joplin – seus nomes começam por J, morreram os três com 27 anos e de overdose.Hoje, a dezasseis anos do segundo milénio, tu deparaste com a memória e vês que no secundário, atrás do ginásio, deste uma passa num charro; na passagem de ano, quando tinhas os teus vinte anos, deste uns riscos na castanha; na despedida de solteiro teu melhor amigo havia mulheres no varão, outras a dançarem no teu colinho, whisky pago pelos comparsas, deste um sniff de branca; e recentemente, foste levado à desobriga para a abertura da discoteca da moda e enfiaram-te uma pastilha na boca – dançaste como se fosses o speddy gonzalez e fodeste como o buggs bonney.
Hoje, a umas horas do próximo chuto, há alguém que se coça todo, conta os tostões para a dose, treme descontroladamente, tem espasmos de dor, os cantos da boca cheios de saliva, cheira a catinga, tem as unhas cheias de lixo e já roubou a mãe pela manhã e nada comeu ao almoço.
Hoje, de manhã, a meio da manhã, ao meio-dia, ao lanche, ao jantar, à ceia, vais beber, espancar a tua mulher e chamar nomes feios aos teus filhos.
Por isso, não vivas estúpido, não morras inocente morre culpado de tudo, mas deixa que a vida seja a tua única droga!

Comentários



Véronique S.

Tem os braços onde deveria ter as orelhas. Tem o coração onde deveria ter os olhos. Já as entranhas, costuma adormecer a mexer nelas. Qual criança que brinca com os cabelos até o sono à visitar.

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