Durante os últimos dias, Portugal dividiu-se, apaixonado, em resultado das declarações de Mariana Mortágua, que, resumidamente, mais não foram do que a defesa de uma das bandeiras de sempre do Bloco de Esquerda: quem tem mais, deve pagar mais. Rapidamente, dois grandes blocos opinativos emergiram. De um lado, aqueles que concordam com as palavras da dirigente bloquista e que acreditam que é hora das crises serem pagas com uma ajuda mais significativa de quem as fabrica e lucra com elas. Do outro, todo um complexo e musculado aparelho de manipulação da opinião pública, financiado com o tal dinheiro que nunca chega a ser colectado aos super-ricos, e que inclui jornais, comentadores e cronistas, blogues ligados ao poder financeiro e trampolineiros contratados à revista Maria que inundaram as redes sociais com cartas e testemunhos emotivos e aldrabados, a que se juntam milhares de remediados que, tendo sido devidamente assaltados e espoliados por quem agora defendem, vá-se lá saber porquê, assumem aqui a função de idiotas úteis. Tinha que calhar  a alguém.

By Irreversível

Entretanto, e porque a internet não perdoa, eis que o site Geringonça descobriu declarações não muito antigas daquele que, pelo menos para mim, passou agora a ser o camarada Passos. Se o facto de se tratar uma medida de justiça social como um assalto aos desgraçados não fosse, por si só, patético e anedótico, principalmente vindo daqueles que sofrem com dito assalto, ver as tropas do PSD falar em “sovietização” a propósito das declarações de Mortágua, quando o seu líder avançou com propostas semelhantes bem antes da deputada do BE, perante o aplauso eufórico dos abanadores de bandeiras, é o expoente máximo do ridículo e da ausência de neurónios. E fica-lhes mesmo bem.

Ouçamos o camarada. Avante!

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João Mendes

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