Astrodome - Tour Europeia

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Depois das primeiras apresentações ao vivo no final de 2014, em 2015 os Astrodome editam o seu 1º disco e percorrem os mais diversos palcos. O disco e os concertos são muito bem recebidos, sendo considerados uma das bandas revelação do ano um pouco por todo o lado, incluído a Irreversível que os coloca como “banda revelação nacional 2015”.  2016 leva a banda a mais palcos e públicos, cimentando uma posição no underground nacional.
2017 arranca com a 1ª tour europeia da banda… :

 – Tour europeia ai à porta… Como aconteceu esta hipótese e expectativas?
Bruno – Esta grande oportunidade sempre foi desejada por nós, mas devido a algumas circunstâncias era complicado para fazer uma digressão durante tantos dias. Com o passar do tempo e depois de termos tocado em vários sítios em Portugal e mesmo em Espanha, essa vontade cresceu mais, como um sonho. Por consequência a esta nossa vontade, a nossa disponibilidade mudou e graças a YaYaYeah, muito principalmente ao Jonas, o plano começou a ganhar vida. E é de salientar o seu excelente trabalho e a grande aposta em nós por parte da YaYaYeah. Achamos que vão ser uns belos dias a divulgar o nosso trabalho pela Europa, é uma coisa que não acontece todos os dias e ter a oportunidade de o fazer durante duas semanas, vai ser marcante. Muitas horas de viagem, muitos concertos, tem tudo para correr bem, pelo menos esperemos que sim. Por isso vai ser uma luta constante e diária para que realmente isto valha a pena, no final de contas é o que queremos fazer.

– 2015 lançamento do disco, 2016 andaram a tocar de norte a sul e 2017 começa com a tour europeia. O que podemos esperar a seguir dos Astrodome?
– Em 2016 demos alguns concertos, mas não consigo atirar um número para o ar. Evitámos também dar demasiados concertos, até porque já estamos há alguns meses a querer focar-nos no próximo álbum. Essa é, juntamente com a digressão europeia, a nossa prioridade para 2017. Ter um novo disco cá fora.

– Esse próximo álbum será uma continuação do que conhecemos em Astrodome ou os muitos palcos alteraram alguma coisa no som da banda?
Bruno – Eu pessoalmente acho que vamos ter coisas novas e coisas que já nos identificam, tentar no fundo evoluir, mas também acredito que esta digressão venha influenciar muito o que pode sair do fim. Afinal de contas vamos viajar por aí e descobrir um “novo mundo” …
– Podemos dizer que o próximo álbum vai ser uma continuidade do que se conhece de Astrodome, mas muda sempre alguma coisa, e ainda bem. O primeiro álbum foi muito importante para consolidarmos a nossa identidade dentro dos diversos estilos que explorámos. Agora estamos mais conscientes do nosso caminho, dos nossos limites, de aspectos positivos que podemos potenciar ou pormenores que não resultam tão bem e queremos melhorar. Também temos um membro novo na banda, com ideias e influências novas… era impossível não mudar. Julgo que o material que vamos apresentar no próximo álbum vai continuar a explorar novos e diferentes estilos, mas, apesar de tudo, acho que vão reconhecer a nossa marca, principalmente no que diz respeito a dinâmicas das músicas e sonoridade.unnamed (1)

– … e o que essa identidade de Astrodome?
– Há uma série de características que se têm vindo a afirmar em diferentes aspectos das nossas músicas e que nos definem. A bateria e o baixo muito presentes e com secções “groovescas”, a afinação grave, os riffs crus e pesados, as guitarras com delay e os acordes ecoantes nas partes mais calmas são os principais elementos que determinam a nossa sonoridade. Depois temos a nossa forma de estruturar as músicas em que tentamos criar uma narrativa, apesar da ausência de voz e letras. Gostamos de imaginar ambientes e tentar transferi-los para a música. Queremos criar momentos marcantes e cenas distintas, que se sinta que algo está a acontecer, e que se construa uma história. Alternamos muito entre o calmo, o agitado e o pesado. É essa a nossa dinâmica. Tudo isto define a nossa identidade.

– O que mais influencia os Astrodome, seja na música ou noutra coisa qualquer?
Mike – O que mais me influencia, para além da música em si, é a cultura em que a música que gosto está inserida. Parece um pouco cliché, mas estou ligado ao surf e ao skate desde sempre e toda essa cultura e o estilo de vida do sul da Califórnia é algo que me fascina. Existem obviamente milhentas outras coisas que me fazem sentir bem, mas essa relação entre a música e o estilo de vida californiano é sem dúvida a que mais influencia tem na minha maneira de olhar para tudo o que faço em geral, principalmente na música.
Bruno – A música em si é a grande influência da minha vida, e gira tudo um pouco a volta disso. Para além disso gosto de criar coisas, objectos, construir novas coisas. Gosto dos ambientes calmos e natureza e isso influencia-me muito para que o resto funcione perfeitamente.
– É-me um pouco difícil dar uma resposta mais precisa a esta pergunta, porque muita coisa serve de influência. Mas, como já dissemos antes, gostamos de trabalhar a partir de imagens , de criar ambientes e fazer música a partir daí. Pessoalmente, inspiro-me muito em histórias “grandes” e épicas medievais, de fantasia ou ficção científica, seja de livros, filmes ou mesmo jogos de computador.
Kevin – Apesar de ter grandes influências de outras artes, continuo a investir mais na variedade do que ouço. Tento expandir cada vez mais o meu leque de estilos musicais, e normalmente isso é o que me dá mais satisfação musical e mais vontade de fazer algo que funda todas essas influências. Essencialmente, quero conseguir fazer música que toque as pessoas da mesma forma que a música que ouço me toca.

– O que é Irreversível?
– A primeira coisa que me vem à cabeça é o tempo… ou a acumulação que implica e que é transversal a tudo, como por exemplo a música.
Mike – É um óptimo nome para uma webzine.
Bruno – Irreversivel é o passado.
Kevin – Tostas mistas. Depois do queijo derreter, não há volta a dar.

Desde 2015 que tenho estado atento ao trabalho destes Astrodome, o seu som stoner-psicadélico-progressivo-rock enquadra-se muito dentro de margens que considero minhas. Concerto após concerto revelavam-se e convenciam.
O facto das narrações e poemas estarem circunscritos aos instrumentos, sem a presença de um vocalista, poderia nem ser digno de registo, no entanto acaba por o ser, isto porque no desenrolar de uma actuação ficamos agarrados aos rifs e melodias, esquecendo completamente ausência de voz e dando por mim a pensar: “Um vocalista só ia foder isto tudo!”
Destacar qualquer individuo dentro do projecto seria uma injustiça, eles são uma pequena orquestra psicadélica, onde ora o motor é o baterista e a caixa de velocidades é uma da guitarras, ora o motor de arranque é o baixo e o alternador que carrega toda a energia é outra das guitarras. Permanentes simbioses e ligações que demonstram ou muito trabalho ou muito feeling. Provavelmente as duas coisas.
O som dos Astrodome não será das coisas mais fáceis de captar ao ouvido menos atento, longos temas com dezena de minutos, complexas narrativas sonoras, ausência de voz, a falta de enquadramento dentro de um estilo reconhecível de imediato… no entanto, com o evoluir dos temas, com o evoluir de uma actuação, mesmo os menos disponíveis dão por si a viajar, como que se um estupefaciente estivesse a ser lançado dos amplificadores.

 

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Francisco Barros

- Realizador e locutor radiofónico nos 90´s com "Rockodromo" & Outros
- Proprietário da extinta "Crash-Discos".
- Vocalista em "Model".
- Passador de música e performer em "Robotic Sessions".
- Musico experimental & Ocasional
- Colaborador e Ex-colaborador em diversas publicações nacionais e locais.

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