foto: hotblack @morguefile.com

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A nossa vila tem a pele quente dos vulcões. A nossa vila tem iva 6% em material erótico e os livros a 23%. A nossa vila tem a moradia de portões altos de ácido e verdete. A nossa vila tem descontos promoção ao fim de semana em todos os artigos valadares. A nossa vila tem o hálito inesperado do nervoso miudinho sempre que nela entramos. A nossa vila tem rostos de panões que se revelam assassinos de infância roubada de uma só vez, porque ir ao cu não engravida. Na nossa vila habitamos nós, jovens deuses, atrapalhados com o tempo que sobra, nas noites em que o diálogo é um monólogo, que já não vai sozinho. Mas separamos sempre o lixo, só com o pretexto de vir fumar um cigarro e fazermos arder uma esquina, numa longa viagem de cegueira e gana, até à aurora com os homens do lixo, a nos levarem, o lixo. A nossa vila tem telhados de cortiça. E janelas tapadas a mata-borrão. Onde a autópsia do tempo está tapada pela mortalha pele. Bom dia, boa tarde, ou boa noite para o Continente, Madeira, Açores e Freixo de Espada à Cinta.

Comentários



Véronique S.

Tem os braços onde deveria ter as orelhas. Tem o coração onde deveria ter os olhos. Já as entranhas, costuma adormecer a mexer nelas. Qual criança que brinca com os cabelos até o sono à visitar.

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