Tendo em conta a história recente sobre a cor do tal vestido, parece pertinente falar sobre como os humanos vêem o mundo e como, até que tenhamos uma forma de descrever algo, como por exemplo a cor, poderemos nem notar que ela exista.

Foi descoberto que durante grande parte da história da humanidade, “azul” não existia, pelo menos como palavra.

Como é descrito no episódio “Colors” produzido por Radiolab, não se consegue encontrar uma palavra para “azul” nas línguas antigas – quer seja Grego, Japonês ou Hebreu. Assim sendo, sem  uma palavra para a cor, existem evidências que provavelmente nem sequer conseguiam vê-la de todo.

Para podermos entender como é que se deu a descoberta da falta desta cor, temos que olhar para escrituras antigas. Por exemplo Homero em “Odisseia” descrevia o oceano como “escuro com o vinho”  e não azul escuro ou verde. E no caso de Homero, podem-se encontrar mais referências a cores que para nós, não faz grande sentido hoje em dia (ovelhas eram violetas e o mel era verde).

blue-crayonA única cultura antiga que desenvolveu a palavra “azul”, foram os Egípcios, que por sua vez foram os primeiros a desenvolver uma forma de produzir tinta azul.

Se reflectirmos um pouco, facilmente reconhecemos que esta cor não aparece muito na Natureza – animais azuis são poucos, olhos azuis são raros e as flores azuis são, na sua grande maioria, criações humanas. Claro, temos o céu inteiro que é azul, ou não? Como vimos anteriormente, em todas as escrituras antigas, obviamente que se faziam muitas referências ao céu, no entanto, não necessariamente era descrito como sendo azul.

Levando esta linha de raciocínio mais além, “Guy Deutscher”, autor do “Through the Language Glass: Why the World Looks Different in Other Languages”, fez uma experiência casual com a sua própria filha, Alma. A experiência partia do princípio que, a dada altura, as crianças fazem sempre a mesma pergunta aos adultos: “Porque é que o céu é azul?”. Então, tendo isso em conta, ele criou sua filha sem nunca influenciá-la quanto a cor do céu, tendo o cuidado de não mencionar que seria seja de qual cor for e depois foi ele que perguntou à sua filha qual seria a cor do céu.

Ela não fazia ideia. Para ela o céu não tinha cor. Chegou à conclusão numa primeira instância de que seria branco e depois, finalmente, concluiu que é azul. Apesar de ter chegado a mesma conclusão que todas as pessoas hoje em dia chegam, ela não achou obvio e demorou a decidir-se. Se ela não soubesse da existência da cor “azul”, será que ela teria sequer chegado a essa conclusão?

“Azul”, por muita polémica que possa ter gerado ou não, é Irrev∃rsível 🙂

 

Fonte: http://www.businessinsider.com

Comentários



Cidadã do Mundo

Com a cabeça nas nuvens interessa-se por tudo e por nada, diz mais do que o que pensa e pensa menos do que o que diz.

Publicação Anterior

Pisca-Pisca

Proxima Publicação

Wile E. Coyote apanhou o Road Runner - Vídeo